A Rica e a Pobre

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É um jogo feminino. Duas crianças, a mulher rica e a mulher pobre, tendo esta atrás de si uma fila de crianças.

A mulher rica dirige-se à pobre e canta:

Partitura da música "A rica e a pobre"

A pobre responde, cantando também:

Eu sou pobre, pobre, pobre,
duma rama, rama, rama.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
duma rama assim.

Durante o canto, tanto a pobre como a rica mimam o que dizem. Os gestos são a seu gosto. A rica pede, então, à pobre uma das filhas:

Dá-me uma das tuas filhas,
duma rama, rama, rama.
Dá-me uma das tuas filhas,
duma rama assim.

Resposta da pobre:

Quanto me darás por ela?,
duma rama, rama, rama.
Quanto me darás por ela?,
duma rama assim.

Oferta da rica:

Dou-te um fio1 de ouro,
duma rama, rama, rama.
Dou-te um fio de ouro,
duma rama assim.

A mulher pobre pode não aceitar o fio. Neste caso, diz:

Isso para mim não serve,
duma rama, rama, rama.
Isso para mim não serve,
duma rama assim.

A rica insiste com a pobre, oferecendo-lhe objectos de mais valor e as duas quadras anteriores vão-se repetindo, até a pobre concor­dar, dizendo:

Escolhe lá qual quiseres,
duma rama, rama, rama.
Escolhe lá qual quiseres,
duma rama assim.

A rica escolhe uma das filhas e o jogo volta ao princípio. Quando a rica tiver conseguido comprar todas as meninas pobres, canta:

Eu de rica fui a pobre,
duma rama, rama, rama.
Eu de rica fui a pobre,
duma rama assim.

A pobre responde:

Eu de pobre fui a rica,
duma rama, rama, rama.
Eu de pobre fui a rica,
duma rama assim.

É o fim do jogo.

Notas

  1. Para acertarem o ritmo neste verso, as crianças ora prolongam o som da palavra “um”, fazendo duas sílabas, ora repetem a palavra “fio”.
    Não se percebe bem o sentido do refrão (“duma rama, rama, rama”). Alusão à rama das batateiras, dando-se a entender que quem tem muitas é rico? De facto, a batata, tal como o pão, é uma das bases da alimentação popular. ↩︎