Jogo típico do Colo do Pito. Ao longo de várias noites, a rapaziada escreve versos sobre as raparigas da aldeia, favoráveis ou não. Vem depois o espectáculo, em forma de julgamento, havendo um juiz, advogado de defesa dos moços e outro das moças. O advogado de defesa dos moços acusa as moças, mas o defensor destas diz:
Não digas mal das mulheres.
Dizei apenas bem.
Quem diz mal das mulheres
diz mal de sua mãe.
Uma mulher em casa
é uma candeia acesa.
Quando se chega a casa,
já tem a ceia na mesa.
Os advogados costumam estar montados em bons cavalos enfeitados com fitas de Carnaval. Vão bebendo vinho e acusando ou louvando as raparigas. Um deles puxa de um papel muito grande e lê:
Estavam dois na Santiaga.
Valha-me Deus Nossa Senhora!
Um dizia: qué, qué, qué.
Outro dizia: qué, qué, porra.
Alusão a uns namorados gagos. Eis uns versos para as moças:
Deixo à Lucília um tinteiro de tinta.
É rapariga nova mas já tem boa pinta.
Mais lhe quero deixar umas tenazes da cozinha.
É boa rapariga: tenho pena de não ser minha.
Deixo à Lucília uma saia a estriar 1
Quando andou no lagar
não deixou que falar.
Deixo à Adília uns sapatos de verniz
para, quando for para a coira,
não partir o nariz.
Deixo à menina Graciosa
um raminho de mimosa.
Se não for domir com o Zé Milho,
vai dormir com a Formosa.
Fui daqui para a capela:
estava lá um grande arreto.
Também lá vi um fantasma vestido de preto.
Terminada a leitura, o juiz dá a sentença, segundo a acusação e a defesa. Há moças satisfeitas e outras tristes. Terminado o espectáculo, o juiz dá um tiro para o ar e um empregado vai buscar a comadre que fizeram. Acorrem todos ao largo e a comadre é assassinada com um tiro do juiz. É um jogo também do Carnaval em que se usam muitas máscaras.
Notas
- Estrear, nunca usada antes. ↩︎






