Num conhecido dicionário de jogos descreve-se o jogo do Tonel cujo antepassado seria o Quebra-Panelas de gregos e romanos. Este consistia em quebrar uma ânfora, atirando-lhe pedras, o que pelo visto agradava muito ao imperador Vero; mas não é de supor, como no dicionário se presume, que ele seja de facto o antepassado do Tonel, este, sim, algo semelhante ao nosso Sapo, mas com diferenças importantes: a rã tinha um valor decorativo, sem contar para a pontuação, e os buracos eram apenas doze. Praticou-se muito em França, no século XVIII, e tinha o nome de “jeu de grecque” (jogo de grega). Houve já entre nós quem o imitasse, a partir da fotografia do livro, confundindo-o com o Sapo, o que não era necessário, mesmo incorporando-lhe uma rã ou um sapo metálicos destinados à pontuação, com uma malha a entrar pela boca.
Eis uma breve descrição do Sapo, o qual todavia melhor se entenderá, observando quer o quadro da pontuação neste local quer as fotografias:


1. Uma caixa com cerca de um metro de altura, tendo na plataforma superior dezoito buracos e sendo um deles a boca de um sapo, a que correspondem 2000 pontos.
2. Os buracos mais valorizados, depois do anterior, são o de um rodízio de ferro, à entrada central da plataforma (1000 pontos) e dois laterais, cada qual entre dois pares de aros e coberto por uma prancheta que o peso da malha acciona, fazendo-a rodar sobre um eixo (500 e 600 pontos).
3. Cada concorrente dispõe de 12 pequenas malhas metálicas a lançar para a plataforma.
4. Vence o que obtiver maior pontuação, admitindo-se também o jogo por equipas.
Este jogo é do género dos jogos do burro que se praticam em diversos pontos do país. Em todos os casos há uma caixa com buracos ou quadrículas numeradas para que se lança uma moeda e a que corresponde uma pontuação. O jogo do sapo é, todavia, mais aparatoso que o do burro, por a caixa ser mais alta e complicada. Usava-se muito nas festas, feiras, junto das tabernas e até nas casas de comes-e-bebes das praias do Norte, mas a moda dos jogos electrónicos que se vão infiltrando nas casas das nossas cidades, vilas e aldeias onde se pressente afluência de público, fizeram-no esquecer e, hoje, é considerado já um jogo atrasado, dos velhos tempos – “popular”, no sentido pejorativo que se atribui a esta palavra. No entanto, os jogos como o do sapo exigem pontaria, domínio quinestésico e grande concentração, em que o lance depende por inteiro do jogador, sem os efeitos automáticos da máquina ligada à corrente eléctrica. Mais educativos? Sem dúvida. Esperamos que em Portugal se criem ludotecas populares, a fim de manter uma tradição e uma identidade culturais que não podem recusar-se.
Notas
ALLEAU, René – Dicionário de jogos. Porto : Editorial Inova, 1973. p. 463.
