Pau (Jovens e Adultos)

Avatar de António Cabral
Créditos:

Jogo dantes muito em voga no norte do país, sobretudo em fei­ras e romarias.

Cada jogador dispunha de um varapau, sendo geralmente pre­ferida a madeira de lódão, com poucos nós e estes bem aparados. Como o jogo se mostrava violento, não era de uso participarem mulheres ou crianças.

Defrontavam-se dois jogadores ou mais. Nesta última cir­cunstância, fazia-se uma roda e no meio dois ou um apenas luta­vam com os restantes.

Antes do jogo propriamente dito, os intervenientes saudavam-se com um batimento mútuo de paus. Depois era a luta em que cada um tentava atingir o corpo do adversário, consistindo a força e a perícia em atingir sem ser atingido, para o que era pre­ciso ligeireza no golpe e na defesa, exigindo-se para esta uma posição do pau que não só obstasse à recepção da paulada mas propiciasse também o ataque imediato. Coragem, força, destreza e reflexos rápidos eram as qualidades necessárias.

Tanto se podia utilizar uma como as duas mãos.

No jogo feito como tal, sem outra intenção que não fosse o pra­zer dos participantes e dos assistentes, não havia vencedor nem vencido ou então ficavam à mercê das preferências de uns e de outros.

Mas o pau era manejado também como instrumento de ataque e de defesa em zaragatas. Havia por vezes contusões, mais ou menos graves, ossos quebrados e outras consequências desagradáveis. Ainda hoje, em muitas feiras e romarias, há homens que se vêem encostados ao seu lodo ou marmeleiro. Se lhes perguntarmos a razão, são bem capazes de não saberem responder. Mais do que a necessidade de arrimo, prevalece sem dúvida o instinto de defesa.

O pau desapareceu praticamente do jogo e cada vez mais das zaragatas. O seu fascínio, todavia, deu origem a grupos folclóri­cos e até a escolas do jogo do pau, onde o jogo real se transformou em jogo-exibição.

*

O Jogo do Pau, tão bem descrito por Aquilino Ribeiro em O Malhadinhas, é hoje um espectáculo mais do que um jogo. De meio de defesa, em feiras e romarias, o pau passou a instrumento de exibição, em palcos e esplanadas de avenidas. Mudam-se os tempos. Pelo Minho foram-se criando escolas de jogo do Pau, como em Bucos (Cabeceiras de Basto), que adestram os jovens numa das chamadas artes marciais mais vistosas. O Ginásio Clube Português aprendeu a lição nortenha e tem em funcionamento uma escola muito importante, em Lisboa.