A quadra natalícia foi já muito fértil em teatro popular, ao longo do país. Em alguns lugares estão a ser retomadas as tradições que, entretanto, se foram perdendo.
Fernando António Almeida foi à zona de Aveiro-Estarreja e registou as impressões que lhe deixaram os autos de Sobreiro-Fermelã e de Cacia. Observa que o auto também recebe o nome de cortejo, por ele se desenrolar na rua, desde uma capela até à igreja paroquial (no caso de Cacia), onde há um presépio vivo.
Apoiam-se na Bíblia, mas socorrem-se também da imaginação as falas entre os reis Gaspar, Baltasar e Melchior. O encontro com Herodes revela a astúcia deste que, todavia, os reis acabam por descobrir.
Divergem na parte final os textos de Cacia e de Sobreiro-Fermelã. No primeiro, os reis deixam de figurar, logo que entram em cena os pastores; no segundo, os reis deparam com a Estrela (o arcanjo S. Gabriel) que os conduz ao Presépio (na igreja), onde oferecem ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra.
Notas
Revista. Expresso. (6 Janeiro 1990).
