“O arriós é como que o antepassado do berlinde. Há mesmo hipóteses de ser uma designação regional do jogo (Alentejo). Ladislau Piçarra descreve-no-lo na revista A Tradição em 1899, da seguinte forma:
“O arriós é uma pequena esfera de pedra de mármore ou massa rija e de superfície lisa. Joga-se deste modo: firmando o bordo interno da mão esquerda no chão e encostando o arriós ao bordo interno do dedo polegar correspondente, dá-se-lhe um piparote com o dedo médio da mão direita. Graças a este piparote, o arriós parte animado de bastante velocidade, podendo percorrer uma distância relativamente grande.
Ao arriós jogam geralmente os rapazes, dois a dois; mas podem entrar no jogo três a quatro parceiros.
Vejamos em que consiste o jogo do Arriós: reúnem-se os rapazes no lugar convencionado, munido cada um do seu arriós. Fazem uma cova no chão e, postando-se, um de cada vez, a uma certa distância, atiram com os arrioses à referida cova. O jogador que consegue enfiar na cova pega no seu arriós e, colocando-se na posição acima descrita, joga-o aos arrioses dos companheiros até errar algum. Neste caso, o parceiro cujo arriós foi errado entra em exercício jogando contra os outros arrioses.
Qualquer parceiro, enquanto joga, pode, querendo, dirigir o seu arriós à cova e depois de enfiar nesta jogá-lo aos arrioses dos companheiros. Mas, então, se não enfia na cova, perde e dá a vez ao companheiro a cujo arriós apontava.
Por cada vez que o arriós enfia na cova, ganha o respectivo jogador — dois, e por cada estalo (estrumelo) que dá, batendo com o seu arriós noutro, ganha — quatro.
O parceiro que primeiro faz 24 ganha o jogo e recebe por isso do companheiro com o qual acabou o mencionado jogo um arriós ou qualquer outro objecto previamente combinado, como uma marca, botão, etc.
O jogo do arriós, assim como outros que hoje constituem divertimento de rapazes, eram também usados outrora por adultos, os quais encontravam nestes exercícios um alegre e inocente passatempo”.»
– In Catálogo da Exposição O Jogo Tradicional, Évora, 21-9-1995, coordenação de José Conde. O livro de Ladislau Piçarra citado é Jogos Populares, in “A Tradição”, I a IV e VI, Serpa, 1899 a 1904.
