Cegos e Paralíticos

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Duas raias no chão (plano e sem obstáculos) separadas em cerca de 30-40 metros. Numa encontram-se os paralíticos que em nenhum momento do jogo podem deslocar-se e noutra os cegos com os olhos vendados. Cada participante cego tem um companheiro paralítico.

O jogo começa com um sinal combinado entre todos: cada cego tem de ir buscar o seu paralítico e trazê-lo às costas até ao ponto de partida. Na ida e na vinda o cego é orientado pelo seu par, o que não é fácil, pois, havendo muitos concorrentes, perturbam-se uns aos outros, ao falarem ao mesmo tempo.

Vence a parelha que chegar ao ponto de partida em primeiro lugar.

Vi praticar este jogo no recreio de uma escola primária. Pergun­tei a uma criança quem lho tinha ensinado e ela respondeu-me que fora a senhora professora. Vim a saber que o jogo figurava num livro e fora programado para desenvolver o sentido de orienta­ção das crianças. Certo, ainda que seja preferível escolher um jogo desse género juntamente com os alunos e, se possível, dentre os que eles espontaneamente praticam. A regra de oiro é sempre propiciar às crianças a iniciativa, partindo-se do princípio que a aprendizagem é tanto mais eficaz quanto mais ela entrar em conso­nância com a personalidade de base de quem aprende, isto é, com os traços culturais da sua comunidade. Ainda que, acentue-se, a apren­dizagem tenha de ser enriquecida no contacto com outras culturas.