As crianças dispõem-se em fila, estabelecendo-se o seguinte diálogo entre as das pontas:
— Ó malhão do cabo.
— 25 ao queimado.
— Quem o queimou?
— Foi o diabo.
— Preso e arrematado prà cadeia de Santiago.
O número 25 é fictício — pode ser outro, consoante o número de participantes. Após a última fala, ligam-se todos, de forma a cruzarem os braços pela frente e a darem as mãos, direita de um com a esquerda de outro. Então o segundo interlocutor diz:
— Vamos ver quem arrebenta.
Puxam para um lado e para o outro até a fila se desmanchar num ponto. Aqueles onde isso acontece fogem acossados pelos restantes, que lhes batem.
Não é fácil encontrar o significado de malhão, palavra que, em Trás-os-Montes designa o jogo de lançamento de uma pedra e a própria pedra e que noutros lados designa a bola com que se atira aos paus, como no jogo dos Bilros. Recordem-se ainda as cantigas populares “Ó malhão, triste malhão” e “Ó malhão, malhão,/ que vida é a tua?” Neste caso, o malhão tanto pode ser o aumentativo de malho que é o mangual de malhar os cereais como, por extensão metonímica, o trabalhador que o usa. Isso vê-se bem numa estrofe da segunda cantiga: “ó malhão, malhão, / pêras, cabaçais, / se tu malhas bem, / oh tirim, tim, tim, / malhas como os mais”. De que malhão se trata neste jogo do Malhão do Cabo? Possivelmente do equivalente de malhador, hipótese que é reforçada pelo facto de os malhadores se disporem nas eiras em filas.
Notas
Jogo recolhido na Chã, Alijó.


