Túnel

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Créditos:

Vi praticar este jogo no recreio de uma escola primária. Não me pareceu integrado na cultura local e abordei a professora. “De um livro — disse-me —, tirei-o de um livro”. Verifiquei que se encon­trava em O meu livro de jogos ao ar livre, de Claude Appel. Regis­to-o apesar disso, porque já o vi jogar noutra escola e as crianças aderem a ele. É assim: as culturas cruzam-se.

Duas filas de crianças apontadas cada qual para a sua árvore. As filas estavam ao lado uma da outra, separadas em dois metros aproximadamente, e entre elas e as árvores mediavam uns sete metros. As crianças tinham as pernas escanchadas, e as mãos nos ombros das da frente. Havia um monitor — a professora.

Quando a professora deu um sinal, o último concorrente de cada fila, com um pequeno pau na mão — o testemunho —, avançou a rastejar por entre as pernas dos companheiros, saiu do outro lado, correu para a árvore, contornou-a e veio entregar o testemunho ao elemento que agora era o último da sua fila. Em seguida, colocou-se na frente. Os companheiros iam procedendo como ele.

Uma fila revelava-se mais lesta do que outra. O jogo terminou quando numa das filas o elemento dianteiro voltou a ocupar esta posição.