Vários jogadores põem as mãos em cima de alguma coisa. Um deles põe apenas uma mão e a outra passa por cima das restantes, dizendo:
Varre, varre,
vassourinha.
Varre bem
esta casinha.
Se a varreres bem,
dou-te um vintém;
se a varreres mal,
dou-te um real.
Depois belisca sucessivamente as mãos, com outra lengalenga:
Jorro, morro,
negrinho salta a pulga
na balança,
vai dizer ao rei
que te ponha
em França.
Aquele cuja mão for beliscada, ao som da palavra França, afasta-se do grupo que escolhe um nome, por exemplo: chocolate. O varredor volta-se para aquele e diz:
— Lamichô, lamichô.
— Diga lá, minha senhora — pede o que está afastado.
— Em que cavalinho quer vir?
— No melhor que lá estiver.
— Quer vir de avião, tigela, cadeira, chocolate, etc.?
— Quero ir de avião.
— Então vem pelo teu pé, que bom caminho é.
E, se a escolha for esta, aquele tem mesmo de regressar a pé. Regressaria a cavalo no varredor, se tivesse dito: chocolate.
Inclui-se este jogo que é variante de outros, como Serrubico, pela curiosidade da segunda lengalenga e da primeira fala do diálogo. Já vimos que em Monteiros (Vila Pouca de Aguiar) se diz “chorro morro, / pico o forro“, etc.. Há outros elementos comuns como balança e França. Mantém-se a dificuldade de interpretar “jorro, morro”. E que significa “lamichô”? Será uma interjeição ou um vocativo? Deriva de lamigocha, lamáchega, lamagacha ou lamacha que na Galiza significam lesma? Nesse caso, o vocativo seria uma metáfora pejorativa. A hipótese de lamigocha é tentadora. Bastaria pensar na hipértese de g e ch e na seguente apócope de ga, por emudecimento. Será assim? Este jogo vem de Fiães (Trancoso).