Comboio (Bom Barqueiro ou Passarão)

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Duas crianças fazem de ponte, combinando entre si o nome que se hão-de dar mutuamente: banana ou maçã, por exemplo. Para fazerem a ponte, colocam-se de frente, levantam os braços, com as mãos estendidas, tocando-se com as pontas dos dedos.

Outras crianças (número variável) dispõem-se em fila, pondo as mãos nos ombros ou na cintura. É o comboio. A criança da frente representa a máquina. O comboio aproxima-se da ponte e canta:

Que linda falua
que lá vem, lá vem!
É uma falua
que vem de Belém.

Que vem de Belém,
que vem de Benfica.
É uma falua
que lá vem, cá fica.

Bom barqueiro, bom barqueiro,
deixai-me passar:
tenho filhos pequeninos
para acabar de criar.

Responde a ponte:

Passarás, passarás,
mas algum deixarás.
Se não for a mãe da frente,
é o filho lá de trás1.

Fica na ponte a última criança a passar. O comboio continua cantando. Entretanto, a ponte pergunta à criança que lá ficou:

– Queres maçã ou banana?

Partitura da música "Que linda falua"

Consoante a resposta, assim se coloca atrás da banana ou da maçã. O processo repete-se até à mãe ou máquina que tem de passar pela ponte três vezes, a correr. À terceira, agarram-na, e fazem-lhe a pergunta que fizeram às outras, colocando-se assim atrás da banana ou da maçã. Todas as crianças se agarram então umas às outras e começam a puxar com força, até uma criança se desligar. Note-se que as crianças se agarram, por trás, pondo as mãos em volta da cintura umas das outras, mantendo as crianças que fazem de ponte a posição inicial, dando as mãos direitas e puxando cada qual para seu lado, encabeçando as duas filas.

À criança que se desliga pergunta a ponte contrária:

– Queres espelho, abelhas ou bombo?

Se responder espelho, as crianças do lado oposto cospem-lhe; se disser abelha, despenteiam-na; no caso de dizer bombo, dão-lhe murros. Ganha o lado (equipa) que não tiver arrebentado.

NOTAS

  1. A cantilena tem variantes. ↩︎